terça-feira, 31 de agosto de 2010

Jornal do Brasil

Geléia geral

(Gilberto Gil e Torquato Neto)
Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia
Resplandente, cadente, fagueira num calor girassol com alegria
Na geléia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia
Ê, bumba-yê-yê-boi ano que vem, mês que foi
Ê, bumba-yê-yê-yê é a mesma dança, meu boi

                                      (Homenagem aos amigos do JB)

domingo, 29 de agosto de 2010

Construção da democracia

Construção da democracia 
Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolavel, e Sagrada: Elle não está sujeito a responsabilidade alguma”.(Constituição do Império do Brasil, 1824)


Já foi dito que a democracia é o pior dos sistemas, excluídos todos os demais. Tal declaração soa de grande importância, quando se aproxima mais um importante pleito, no qual haverá a escolha do próximo Presidente da República.
Muitos anos de período autoritário no Brasil fez com que muitas pessoas passassem a ter uma certa aversão pela política e também impediram a construção de partidos políticos sólidos.
A democracia é um regime de constante aperfeiçoamento. Quando ela é interrompida, o país regride e em seu retorno, quando a liberdade volta a vigorar, fica-se a impressão de que as coisas estão piores. Pelo contrário, a liberdade de imprensa e de opinião faz com que aquilo que era escondido ou proibido de se falar na ditadura, passe a ser percebido pela população.
Construir uma democracia sólida não se faz da noite para o dia. Ela exige a participação consciente das pessoas e principalmente o pleno exercício da cidadania. E o verdadeiro cidadão surge a partir da educação de qualidade e desenvolvimento do pensamento crítico.
A História não dá saltos. Há muita coisa a ser corrigida no Estado brasileiro, mas para que almejemos uma sociedade mais justa é preciso que a tarefa da construção da democracia seja um trabalho pleno de todos os verdadeiros cidadãos.

PS: Estamos agora também no site www.agenciareporterdigital.com.br
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terça-feira, 17 de agosto de 2010

É conversando que a gente se entende

O apagador digital andou um pouco meio paradinho, mas agora está de volta por puro oportunismo. Nesse período de eleições no Brasil há muito que se aprender com nossos candidatos. São milhares de promessas, que embora sabendo de antemão que não serão cumpridas, nos enchem de orgulho pela criatividade dos que nos pedem voto. Já encontrei de tudo - candidato comunista, fazendo parte de grupo de oração, pedindo ao Divino força para ganhar votos - até candidato religioso, vendendo a alma ao capeta, sob a alegação de que não importa a cor do gato, o importante é que ele mate os ratos.
É que recebi uma mensagem em Inglês de um jornalista da terra da rainha, dizendo que está recrutando novos escritores em todo o mundo, e, deparou com o apagador digital, tendo-o achado muito interessante,
Por via das dúvidas, vamos botar o time novamente em campo. Me ofereceu parceria de meio a meio.
Não sou ganancioso: 10% tá de bom tamanho.
Vou acelerar meus estudos de inglês...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Vai apertar, mas não vai acender agora



Vai votar em quem? Vou votar no Onofre? Onofre? Nunca ouvi falar...Ele é lá da comunidade...
E qual o programa dele? Ele é a favor da discriminalização e da discriminação e também da dessacralização...
Mas, isso não vai aumentar o consumo das drogas?  Que droga, tô falando dos balões. Ele defende a tese de que o baloeiro não pode ser tratado como um criminoso comum. Ele é um artista, um preservador da cultura e das tradições. Uma vítima de nossa sociedade industrial. Ele não pode ser tratado como um desses políticos que incentivaram as construções de casas no Bumba...
Você não acha perigosos os balões? E se eles caírem em uma mata, já pensou o desastre que irá causar? Os prejuízos incalculáveis? Como assim! Tudo é perigoso. E se um avião cair? E eles caem e as famílias das vítimas levam séculos para serem indenizadas? E as embarcações superlotadas que afundam em nossos rios e lagoas? E os nossos trens apinhados de passageiros que morrem como sardinhas em batidas e descarilamentos? E as nossas estradas esburacadas, causando derrapagem até entre motoristas que sequer tomaram uma caipirinha?
Uma coisa não justifica a outra. Os balões são ameaças que devem ser combatidas. Uma floresta leva centenas de anos para crescer. Ora, mas e os homens que estão devastando a Amazônia? E as construções em áreas de preservação ambiental? E o comércio clandestino de animais silvestres? E a poluição criminosa de rios, lagos e baías por indústrias poluidoras que não são fiscalizadas?
Certo, são também crimes, mas os balões podem da noite para o dia destruir a casa que uma pessoa construiu com tanto sacrifício... O Onofre não pensa assim. O candidato diz que o balão pode ser um grande incentivo para o crescimento econômico. Ele dá como exemplo a Petrobrás que mantém um verdadeiro exército em suas refinarias, carregando bambus e espreitando dia e noite os céus, espionando o rumo dos balões. São pessoas que começam a conhecer melhor as estrelas, os astros, os discos voadores, o trajeto dos aviões. Muitas se interessam pela astronomia e outras pela astronomia, cujo campo de trabalho é mais rentável. Já pensou na manchete de um jornal: “Abertas 2 mil vagas para fiscais de balões. Só o 2º grau. R$2.700 e mais benefícios, como binóculos, lunetas, varas de pescar e extintores de alta pressão. É preciso bom preparo físico, concentração e visão apurada. Saber usar bicicleta, motocicleta e ter velocidade na corrida. Dá-se preferência a piloto de helicópteros.
Isso é um absurdo! Um candidato desse não deveria passar pela Lei da Ficha Limpa. Não sei qual o motivo. Ele nunca roubou ninguém. Pelo contrário é um grande empreendedor. Um homem de visão e gerador de empregos. Já fui contratado como cabo eleitoral. O Onofre já tem até jingle de campanha.
E como vai ser? “O balão vai subindo vem caindo a garoa, a tarde tão fria e a vida tão boa. Meu São João, meu São João acende a fogueira no meu coração...”
Taí, fogueira pode... Não é a mesma coisa. A criançada da comunidade se junta na roda, cerca os baloeiros e canta feliz: “Cai, cai, balão, cai, cai, balão, aqui na minha mão.”
As crianças não deviam participar desse crime. Deveriam estar em casa assistindo televisão, brincando de videogames ou navegando na Internet... Um candidato da modernidade deveria oferecer um laptop para cada criança e não incentivar que soltem balões...
O Onofre não pensa assim. Ele está propondo uma marcha a Brasília com o objetivo de que o povão solte mais de mil balões em frente ao Congresso.
Isso é uma ameaça às nossas instituições. Isso coloca em risco a segurança nacional. Esse Onofre tem de ser contido urgentemente.
Acho que não, ele sempre diz que “vai apertar, mas não vai acender agora”.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Obituário do Miguelzinho

Ser redatora de Obituário em jornal do interior era o grande drama de Dona Manuela. Formada em jornalismo em um grande Centro, ao voltar para a cidade jamais imaginara caber a ela a ingrata função de ter de resenhar a vida de ilustres que partem dessa para a melhor. Endeusava a trajetória política de antigos prefeitos que partiam, do dono da padaria e seguindo a orientação do editor (orientado pelo dono do jornal), transformava o capeta em santo.

Foi em uma sexta-feira, quando já pronta para deixar a Redação do jornal foi surpreendida com a morte de um grande ator norte-americano, admirado pelo dono do jornal. O editor recebera no telefone a orientação para que desse chamada na primeira página e destaque na página interna. Acontece que ninguém no jornal, a não ser o dono, conhecia o “famoso quem?”” ator. Em sua infância sofrida, o empresário das Comunicações, tinha assistido um filme com o ator desconhecido que o marcara muito. Agora queria retribuir, com uma homenagem em sua publicação.

Dona Manuela socorreu-se no Google e conseguiu um retrospecto meio capenga do ator, enfeitando com a imaginação até chegar as 30 linhas determinadas pelo editor. De casa, a turma já telefonava cobrando sua presença no churrasco, que a essa altura estava bombando.

Foi quando o editor, em uma “puxada” ao dono do jornal, encasquetou que queria a foto do ator ilustre da infância do patrão.

Dona Manuela não pensou duas vezes. Tirou da bolsa a foto da Primeira Comunhão do sobrinho Miguelzinho e mandou ver.

No dia seguinte, o editor foi chamado às pressas à casa do patrão, a fim de dar explicações para o fato do ator, branco e louro (um americano típico) ter morrido aos 82 anos e o jornal exibir a foto de um pretinho de uns 8 anos de idade.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Apagando o pó de giz

Passamos um apagador no pó de giz - nome inicial do blog -, pois descobrimos que já havia outro com esse nome em Brasília (só pode ser esse pessoal do Planalto Central). Estamos indo agora de Apagador Digital (esperamos que não apareça outro na praça)... Vamos em frente, escrevendo o certo e apagando o errado, com nosso apagador digital. Ele é um filhote do aprovaçaoautomatica.blogspot.com - mas com uma outra proposta.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bulling: Verás que um filho teu não foge à luta


Na Copa do Mundo passada, um jornalista estrangeiro interpretou o Hino Nacional dos principais países e constatou que o do Brasil era o mais pacífico, o mais ecológico o mais poético e o mais bonito.

Quem se der ao trabalho de ver a tradução do Hino francês, por exemplo, vai verificar que o Dunga está certo em convocar os seus "guerreiros" para a Copa. É um mês de chumbo grosso. De gol de mão de Maradona, de bofetada de Zidane e de muita malícia.

No século passado, quando não havia o politicamente correto dos norte-americanos, nem a frescura do Bulling dos ingleses, o brasileiro deixava de lado  o sapato alto e fazia de cada Copa a Pátria em Chuteiras, como na definição de Nelson Rodrigues. Em plena ditadura, João Saldanha (o João sem medo) denominava seus atletas de "as Feras do Saldanha".

Como estamos acostumados com o mundo da política, onde campeia a roubalheira e nada acontece, muitos de nossos analistas tentam fazer da Copa do Mundo um acontecimento dito "normal". No entanto, esse não é o espírito do brasileiro. Na Copa tudo é paralisado, em mais um feriadão nacional. É bom, por um lado, que ao diminuir a produção, diminuímos a poluição, o consumo excessivo e outras preocupações secundárias.

Gastamos pouco em roupa. Basta uma verde-amarela comprada no camelô ou loja da Saara ou da 25 de Março. E nos enchemos de cornetas (que venham as insuportáveis e melódicas da África do Sul). E o tiroteio de nossas guerras urbanas (essas sim, sérias e injustificáveis) deem vez ao espocar dos fogos e de tiros para o alto que não matam ninguém.

Nosso Hino pacífico diz que se a Pátria for humilhada, nenhum filho fugirá a luta. É aí que entra a nossa Tropa de Elite. E nela o craque - como mostrava Saldanha - também tem vez. Precisamos de um Nilton Santos, que ao cometer um penalti contra a Espanha, teve a perspicácia de dar dois passinhos para a frente enganando o juiz que vinha correndo atrasado do meio campo. Se fosse hoje, estaria crucificado como o jogador francês.

Precisamos de Canhoteiro e de Pepe (o canhão da Vila); de Vavá - o Leão da Copa; do destempero de Almir o Pernambuquinho, se as coisas contra a Argentina, Itália ou Alemanha pegarem fogo. Precisamos dos Xerifões Brito e Fontana espanando na defesa como o Lúcio e o Juan devem fazer, pois bola pro mato que o jogo é de campeonato. Precisamos do Joubert (o inventor do ponta esquerda recuado, pois nenhum ousava ir para o confronto direto com ele).

Mas precisamos também, e muito, do Didi para acalmar os guerreiros (pegando tranquilo a bola no fundo da rede e convocando a todos para encher de gols os gringos). De Amarildo, o Possesso. De Leônidas, o Diamante Negro; de Dario, Peito de Aço; de Dungas e Jorginhos e o feitiço de Vicente Feola, parecendo dormir no banco, para deixar os "meninos" jogar, com liberdade, com magia, com fantasia e com maestria.

Precisamos de Garrincha e de Pelé (deles precisamos sempre).

e de não termos vergonha em achar a nossa "terra mais garrida" e que "teus risonhos lindos campos têm mais flores".

Pois é:

"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor"...